Nem todo diabetes é igual: você sabe qual é o seu tipo?
Quando alguém recebe o diagnóstico de diabetes, é comum imaginar que existe apenas uma forma da doença. Mas a realidade é que existem diferentes tipos de diabetes, e entender essa diferença é fundamental para compreender como o tratamento funciona e quais caminhos são possíveis.
Os três tipos mais conhecidos são:
- diabetes tipo 1
- diabetes tipo 2
- diabetes LADA
- diabetes gestacional
Embora todos estejam relacionados ao controle da glicose no sangue, as causas e o funcionamento no organismo são diferentes.
Diabetes tipo 1
O diabetes tipo 1 acontece quando o próprio sistema imunológico ataca as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.
Entre as principais características estão:
- destruição das células produtoras de insulina
- surgimento mais comum na infância ou adolescência
- doença autoimune
- presença de autoanticorpos como anti-GAD, anti-IA2 e anti-insulina
Como o organismo deixa de produzir insulina, o tratamento exige o uso diário de insulina desde o diagnóstico.
Diabetes tipo 2
No diabetes tipo 2, o cenário é diferente.
O corpo ainda produz insulina, mas as células passam a responder de forma menos eficiente. Esse fenômeno é conhecido como resistência à insulina.
Com o tempo, o pâncreas pode acabar reduzindo a produção de insulina devido à sobrecarga causada por esse processo.
Algumas características comuns do diabetes tipo 2 incluem:
- presença de resistência à insulina
- surgimento mais frequente na idade adulta
- forte relação com alimentação e estilo de vida
- possibilidade de controle com alimentação, exercícios e medicamentos
Em fases mais avançadas, também pode haver necessidade de uso de insulina.
Diabetes LADA
Existe ainda um tipo menos conhecido chamado LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults).
Ele é considerado uma forma de diabetes autoimune que surge na fase adulta e muitas vezes pode ser confundido inicialmente com diabetes tipo 2.
Entre suas características estão:
- presença de autoanticorpos, especialmente anti-GAD
- evolução mais lenta que o diabetes tipo 1
- diagnóstico inicial frequentemente confundido com tipo 2
- necessidade de insulina meses ou anos após o diagnóstico
Exames específicos ajudam a diferenciar esse tipo de diabetes e orientar o tratamento mais adequado.
Quando desconfiar de diabetes LADA
Alguns sinais podem levantar a suspeita de LADA:
- perda de peso inexplicável
- glicemias muito elevadas desde o diagnóstico
- dificuldade em controlar a glicemia apenas com dieta ou medicamentos
- histórico familiar de doenças autoimunes
Exames que ajudam a diferenciar LADA do tipo 2
Alguns exames laboratoriais podem ajudar a identificar corretamente o tipo de diabetes.
Autoanticorpos
A presença de anticorpos como anti-GAD, anti-IA2 ou anti-insulina indica que existe um componente autoimune.
Peptídeo C
Esse exame mede quanto de insulina o organismo ainda consegue produzir.
Glicemia de jejum
Ajuda a avaliar se existe dificuldade persistente no controle da glicose.
Hemoglobina glicada (HbA1c)
Mostra a média da glicose no sangue nos últimos meses e ajuda a avaliar o controle glicêmico.
⚠️ A interpretação desses exames deve sempre ser feita por um médico especialista, que poderá confirmar o diagnóstico correto e orientar o tratamento mais adequado.
Diabetes Gestacional
O diabetes gestacional é uma forma de alteração da glicose que surge durante a gravidez, geralmente sendo identificada pela primeira vez nesse período.
Ele ocorre devido às mudanças hormonais da gestação, que podem reduzir a ação da insulina e levar ao aumento da glicemia.
Na maioria dos casos, o rastreamento é feito entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, por meio do teste oral de tolerância à glicose (TOTG).
O diagnóstico é confirmado quando um ou mais dos valores estão alterados:
- glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL
- glicemia após 1 hora ≥ 180 mg/dL
- glicemia após 2 horas ≥ 153 mg/dL
Em alguns casos, alterações já no início da gestação podem indicar diabetes pré-existente e não apenas gestacional.
O diabetes gestacional é importante porque pode:
- aumentar riscos durante a gestação
- indicar maior predisposição futura ao diabetes tipo 2
Na maioria dos casos, ele desaparece após o parto, mas exige acompanhamento e cuidado durante toda a gravidez.
Agora que você entende que existem diferentes tipos de diabetes, surge outra pergunta importante: como o diabetes tipo 2 realmente começa?
Como o diabetes tipo 2 se desenvolve no corpo